Brigadeiro Franco 2119 
Curitiba




BRASIL

Mark
Open Source Session
Elke Mark

Como um esboço casual

A melhor maneira de descrever o caráter aberto e anti-objetivo das sessões open source do PAErsche me parece ser um 'esboço casual'. Uma pessoa abre o “campo” com uma performance art ou ação, e outros participantes se juntam, seguindo seus próprios impulsos. Como o deslocamento escultural de um móvel ou até mais como um enxame, o resultado é uma assemblagem na qual todos os participantes se movem e agem. Elementos de interação se alternam com linhas de ação aparentemente desconectadas. Com duração de uma a duas horas, esses procedimentos são uma forma de pesquisa que não testa idéias preconcebidas, mas cria um processo aberto de "fornecer respostas ainda desconhecidas para perguntas que o pesquisador ainda não está em posição adequada para fazer" 1. O que há de especial nesse tipo de experimento é, nas palavras de Karin Krauthausen, "não estar incorporado em uma técnica de 'descobertas' como parte do empirismo, mas em ser capaz de acentuar e estabilizar o inaudito"2. Krauthausen também observa que “as vantagens do experimento […] [incluem] o desejo imprevisível de mudar de direção”3 Isso é descrito pelo cientista / filósofo Ludwik Fleck como uma espécie de efeito da experiência de Colombo, no qual alguém que procura as Índias acaba na América.4 […] Também inclui um senso de tempo e vigília. Como observa o filósofo Dieter Mersch, fazemos uma pausa após uma “premonição”, “sem, a cada vez, estar cientes do que estamos prestando atenção; pelo contrário, naquele momento em que paramos e prestamos atenção (em algo), o que percebemos ainda não é um 'algo', mas permanece incerto, mais como algum tipo de sentimento nos ossos que não pode ser nomeado”5.

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Rheinberger, Hans-Jörg (2010): Experimentalsysteme und epistemische Dinge. Göttingen, página 22
Krauthausen, Karin (2010): Vom Nutzen des Notierens. In: Krauthausen, Karin/Omar, W. Nasim (Hgg.): Notieren, Skizzieren: Schreiben und Zeichnen als Verfahren des Entwurfs. Bd. 3. Zürich & Berlin, página 11
Ibid./Ebd., página 12
vgl. Polanyi, Michael (1966): The Tacit Dimension. London
Mersch, Dieter (2002): Ereignis und Aura. Frankfurt am Main, página 52

Originalmente publicado em 2012 Taktiles Wissen, in: Werkzeug / Denkzeug. Manuelle Intelligenz und Transmedialität kreativer Prozesse, Transcript. Bielefeld, páginas 127-143


Tradução
Eduardo Cardoso Amato

2020